quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Contra o esquecimento na Biblioteca da ESDR

Na Biblioteca da ESDR, os alunos de Literatura Portuguesa apresentaram as suas leituras dos Contos de Maria de Fátima Borges.

O evento teve lugar no passado dia 5 de fevereiro, nas novas instalações da biblioteca escolar, numa iniciativa da coordenadora da biblioteca, Dra. Ana Isabel Serpa, em parceria com o departamento de línguas românicas.


Num interessante volume de 1993 intitulado Do Corvo a Santa Maria, Joaquim Manuel Magalhães recorda, nestes termos, a jovem que conheceu na Universidade de Coimbra em 1962, recém-chegada da ilha: "Havia entre nós uma única pessoa com quem pude conversar, disparatar, presumir. Vinha da Ribeira Grande e chamava-se Maria de Fátima Borges". 

Autora de dezenas de contos e ensaios dispersos pela imprensa periódica e por revistas literárias regionais, nacionais e estrangeiras, a contística de Maria de Fátima Borges ocupa um lugar singular no panorama da literatura portuguesa contemporânea, merecedora de um aprofundado estudo de conjunto que tarda em aparecer. Recorde-se (sem pretensão de querermos ser exaustivos) a sua colaboração na revista literária Quimera (de Barcelona), na Verlag Folk und Welt (de Berlim), na Revista K, na Telhados de Vidro e As escadas não têm degraus, na Arquipélago, da Universidade dos Açores, e no "Pulsar, Suplemento de Cultura, Artes e Letras" do Açoriano Oriental, nos anos 80 e 90. Mais recentemente, surge também representada na Antologia bilingue de autores açorianos contemporâneos, coordenada por Helena Chrystello e Rosário Girão. Mas convém não esquecer que lhe pertence a única representação feminina na Antologia panorâmica do conto açoriano, organizada por João de Melo em 1978, com o penetrante conto intitulado "Quase". A cor cíclame e os desertos (de 1989), há muito fora de mercado, é o volume que congrega a sua maior coletânea de contos.
Em molde de aula aberta, os alunos de literatura portuguesa expuseram as suas reações pessoais aos contos lidos, recontando intrigas, algumas banais, outras incomuns ou surpreendentes. E encantaram uma audiência de seis dezenas de colegas do secundário, despertando-lhes o entusiasmo para a leitura desses e de outros contos da autora. Aqui vão, para memória futura, os títulos dos contos que foram objeto da atenção dos alunos e os nomes dos oradores que lhes deram as honras devidas: "Vai chover amanhã!", Catarina Barbosa; "Deotilde da Assomada, virgem e mártir", Ana Lima; "Herança", Mariana Borges; "Lembrança", Rafaela Ambrózio; "O rei", Bianca Cabral; "Limiares", Teresa Pereira; "Quase", Diana Oliveira; "Estátua", Jéssica Botelho; "A cor cíclame e os desertos", Henrique Santos.


A sessão terminaria com a leitura integral e imprevista (porque não programada) deste último conto que dá título à coletânea, pela voz expressiva e esfuziante do Henrique Santos.

Professora Luísa Linhares
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